Governo foca no piso da meta e acumula despesas, gerando alertas de especialistas.
O arcabouço fiscal enfrenta um período de descrença, já que o governo federal só consegue seguir as normas devido a reduções de gastos. Além disso, a estratégia mudou do centro para o piso da meta, o que é contraproducente, pois não impede o aumento da dívida pública. Essa situação evidencia a constante expansão fiscal observada no atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seja para justificar o uso de precatórios da gestão anterior ou para impulsionar a renda dos mais vulneráveis com programas como o Bolsa Família e o reajuste do salário mínimo acima da inflação. Este volume de despesas indica uma deterioração nas estimativas para as finanças públicas, que, até dezembro, deixarão o Brasil com um nível de endividamento semelhante ao de 2020, ano da pandemia de Covid-19, conforme alertado por economistas.
Especialistas apontam que o presidente Lula precisará justificar o expressivo aumento dos gastos e o consequente crescimento da dívida pública, mesmo sem uma pandemia ou recessão econômica. Não será suficiente atribuir a responsabilidade à gestão anterior, uma vez que diversas novas despesas foram criadas pelo Executivo, Legislativo e Judiciário.
Analistas concordam que a questão fiscal será um destaque na próxima campanha eleitoral. O cenário para 2027 é ainda mais preocupante, com a possibilidade de que as despesas obrigatórias consumam quase todo o espaço das discricionárias, forçando um ajuste fiscal inevitável pelo próximo governo. Essa situação é resultado de um arcabouço frágil, incapaz de conter um acréscimo de, no mínimo, 12 pontos percentuais na dívida pública bruta em um período de quatro anos.







