Uma das principais promessas de legado da Copa do Mundo de 2014 em Cuiabá (MT) transformou-se em símbolo de desperdício de recursos públicos. O projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), anunciado para melhorar a mobilidade urbana durante e após o Mundial, consumiu mais de R$ 1 bilhão em investimentos, mas jamais transportou um único passageiro.
O empreendimento previa cerca de 22 quilômetros de linhas e mais de 30 estações. No entanto, apenas aproximadamente 6 quilômetros de trilhos chegaram a ser instalados antes da paralisação das obras. O projeto foi marcado por atrasos, suspeitas de irregularidades, disputas judiciais e questionamentos sobre sua viabilidade econômica.
Em 2020, o Governo de Mato Grosso decidiu abandonar definitivamente o VLT e substituí-lo por um sistema de BRT (corredores de ônibus). Desde então, estruturas começaram a ser desmontadas e materiais que nunca chegaram a ser utilizados passaram a ser leiloados pelo Estado, incluindo trilhos e equipamentos ferroviários.
Os 40 trens comprados para o sistema também nunca entraram em operação em Cuiabá. Posteriormente, as composições foram negociadas para utilização em outro projeto de transporte na Bahia.
O caso do VLT de Cuiabá é frequentemente citado como uma das obras mais problemáticas relacionadas à Copa de 2014 e reacende o debate sobre planejamento, fiscalização de grandes projetos públicos e os legados efetivamente deixados pelo Mundial realizado no Brasil.







