O governo federal empenhou R$ 884,37 milhões em emendas parlamentares destinadas aos 19 congressistas que votaram contra o relatório final da CPMI do INSS, documento que propunha, entre outros pontos, o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento foi publicado por O Antagonista com base em dados do Siga Brasil e do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop).
O relatório do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) foi rejeitado por 19 votos a 12 no fim de março. O parecer propunha o indiciamento de mais de 200 pessoas e incluía Lulinha por suspeitas relacionadas a tráfico de influência, lavagem ou ocultação de bens e valores, organização criminosa e corrupção passiva. A rejeição encerrou a CPMI sem a aprovação daquele relatório.
Segundo o levantamento, os R$ 884,37 milhões representam 98,64% dos R$ 896,56 milhões em emendas desses 19 parlamentares empenhadas pelo governo em 2026 até o momento. O Orçamento prevê aproximadamente R$ 1,06 bilhão para as emendas do grupo, dos quais R$ 718,65 milhões já haviam sido efetivamente pagos.
A concentração dos empenhos após a votação provocou reação da oposição, que passou a questionar politicamente a coincidência entre a rejeição do relatório e a liberação dos recursos. O governo, por sua vez, sustenta que a execução das emendas segue os procedimentos orçamentários e nega irregularidades.
Apesar da sequência temporal chamar atenção, os dados disponíveis não comprovam que as emendas tenham sido liberadas como pagamento ou recompensa pelos votos. O que o levantamento demonstra é que os parlamentares que rejeitaram o relatório receberam a maior parte dos empenhos de suas emendas de 2026 após aquela votação.
Fontes: O Antagonista; Siga Brasil; Siop.







