A Controladoria-Geral da União (CGU) determinou que o Itamaraty divulgue a lista de hóspedes das residências oficiais brasileiras localizadas no exterior. A decisão foi tomada após o Ministério das Relações Exteriores negar um pedido feito via Lei de Acesso à Informação (LAI), alegando que o levantamento seria “desproporcional” e exigiria centenas de horas de trabalho.
O pedido envolve 24 imóveis oficiais do Brasil em cidades como Roma, Washington, Paris e Buenos Aires. Segundo o Itamaraty, a busca pelos registros demandaria cerca de 250 horas de trabalho e a mobilização de mais de 200 diplomatas. A CGU, porém, rejeitou a justificativa e afirmou que as informações já fazem parte dos registros administrativos normais das embaixadas e consulados, devendo prevalecer o princípio da transparência pública.
Com a decisão, o governo terá até 90 dias para liberar os dados. A abertura incluirá nomes de agentes públicos e também convidados privados que tenham utilizado recursos públicos durante viagens e hospedagens nas residências oficiais.
A decisão também impacta figuras conhecidas. A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, deverá aparecer nos relatórios oficiais, já que participa de agendas internacionais utilizando estrutura custeada pelo Estado. Já convidados privados que não geraram despesas públicas, como o ator Fábio Porchat — citado em reportagens envolvendo hospedagem em Roma — poderão permanecer sob sigilo.
A pressão por transparência aumentou após dados apontarem que a manutenção de embaixadas, consulados e prédios oficiais brasileiros no exterior custou ao menos R$ 240,5 milhões em 2025.







