Um caminhão carregado com caixões capotou em uma rodovia federal que corta cidades da Bahia e, desta vez, o que chamou atenção não foi o acidente em si, mas a reação ao redor. Em um país acostumado a ver cargas sendo rapidamente saqueadas após qualquer tombamento, o episódio seguiu um roteiro diferente: ninguém mexeu na mercadoria.
A cena, quase simbólica, expõe um contraste curioso. Quando a carga é alimento, eletrodoméstico ou qualquer item de valor comercial, o “socorro” costuma chegar antes das autoridades — e não exatamente com boas intenções. Mas, diante de caixões, o ímpeto desaparece. De repente, o senso de respeito surge, seletivo, como se dependesse do conteúdo do caminhão para existir.
O caso escancara uma realidade incômoda: o problema nunca foi necessidade, mas conveniência. A ausência de saque não indica evolução moral, e sim falta de interesse. No fim, a pergunta que fica é simples — o que isso diz sobre o comportamento coletivo quando o que está em jogo não causa desconforto ou medo?







