O Brasil passou a figurar entre as 30 economias com maior dívida pública do mundo em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), segundo uma análise de dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) elaborada pelo Instituto de Finanças Internacionais (IIF).
De acordo com os dados divulgados, a dívida pública brasileira alcança aproximadamente 96,5% do PIB. Em valores absolutos, o montante é estimado em cerca de US$ 2,1 trilhões, colocando o país como o maior devedor da América Latina em termos nominais.
O levantamento também coloca Bolívia e Suriname entre as 30 economias mais endividadas quando considerada a relação entre dívida pública e PIB. A situação boliviana é ainda mais delicada nesse indicador: a dívida corresponde a aproximadamente 102% do PIB.
Apesar de aparecerem no mesmo ranking, Brasil e Bolívia possuem estruturas de endividamento bastante diferentes. No caso brasileiro, aproximadamente 95% da dívida está denominada em reais e grande parte está nas mãos de investidores domésticos. A parcela externa corresponde a cerca de 4,5% do total.
Na Bolívia, por outro lado, a dívida externa representa uma fatia significativamente maior, equivalente a aproximadamente 41,1% do endividamento público, aumentando a exposição do país a movimentos cambiais e à disponibilidade de moeda estrangeira.
No ranking mundial, Japão aparece na primeira posição, com dívida equivalente a 204,4% do PIB, seguido por Cingapura, com 171,9%, e Sudão, com 169,1%. Estados Unidos, Itália e Grécia também aparecem entre os dez primeiros.
O tamanho da dívida, entretanto, não determina sozinho a saúde financeira de uma economia. Taxa de juros, crescimento do PIB, moeda em que os compromissos são denominados, capacidade de arrecadação e confiança dos investidores são fatores fundamentais para avaliar a sustentabilidade do endividamento.
No caso brasileiro, o elevado custo dos juros adiciona pressão às contas públicas e torna a trajetória da dívida um dos principais desafios fiscais do país.







