O Brasil ultrapassou a marca de 11 milhões de mães solo, mulheres que criam e sustentam seus filhos sem a presença de um companheiro no dia a dia. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) apontam que o número passou de 9,6 milhões para 11,3 milhões em uma década, tornando esse grupo maior do que a população de países como Portugal.
Segundo os levantamentos, mais de 72% dessas mães vivem apenas com os filhos, sem uma rede familiar de apoio dentro de casa. Além da responsabilidade financeira, elas acumulam tarefas domésticas, cuidados com os filhos e dificuldades para ingressar ou permanecer no mercado de trabalho. A renda média das mães solo também é inferior à de outros arranjos familiares, o que amplia os desafios enfrentados diariamente.
O crescimento do número de mães solo tem gerado diferentes interpretações no debate público. Alguns atribuem o fenômeno a mudanças culturais, transformações nos relacionamentos e maior independência feminina. Outros apontam o aumento da ausência paterna, a fragilidade dos vínculos familiares e a redução da formação de famílias tradicionais como fatores que ajudam a explicar o avanço desse cenário.
Os dados também mostram que quase 15% dos lares brasileiros são chefiados por mães solo e que a maioria dessas mulheres é negra. Para pesquisadores, o número evidencia a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção da infância e ao apoio às famílias monoparentais.







