A crise do Banco Master alcançou uma dimensão internacional decisiva. O juiz Scott Grossman, da Corte de Falências da Flórida, nos Estados Unidos, permitiu a busca mundial por bens ligados ao grupo financeiro. Essa medida se baseia no Chapter 15, uma ferramenta jurídica que reconhece processos de insolvência internacionais e promove a colaboração entre países.
Com essa determinação, o liquidante nomeado pelo Banco Central do Brasil ganha ampla autonomia em território americano. Ele pode solicitar documentos, emitir intimações legais, acessar dados bancários sigilosos e investigar estruturas societárias suspeitas no exterior. Espera-se que 24 a 28 intimações sejam expedidas inicialmente, com foco na Flórida. Os alvos dessa ação incluem o Banco Master S.A., Banco Master de Investimentos S.A., Master S.A. Corretora de Câmbio e o Banco LestBank S.A.
As apurações visam esclarecer transações financeiras realizadas fora do Brasil, sob forte suspeita de ocultação de bens, evasão de divisas e transferências irregulares por meio de holdings e offshores em paraísos fiscais. Embora a decisão seja rigorosa, ela exige que as leis de privacidade dos EUA sejam respeitadas, demandando novas ordens judiciais para ações mais intrusivas. Até o momento, o objetivo é aprofundar as investigações, e não há condenações proferidas.
A entrada da Justiça dos EUA no caso do Banco Master impede qualquer tentativa de blindagem política ou abafamento institucional que pudesse estar sendo articulada. Ao usar o Chapter 15, as autoridades brasileiras conseguiram ir além das fronteiras nacionais e acessar o centro financeiro onde operam as offshores suspeitas. Para aqueles que usavam a Flórida como refúgio seguro para bens, o cerco se fechou, mostrando que o rastro do dinheiro é global e que as irregularidades da liquidação do Master dificilmente permanecerão escondidas.







