A expansão territorial das facções criminosas voltou a acender o alerta sobre a segurança pública no Brasil. Levantamentos recentes indicam que organizações criminosas ampliaram sua presença em diferentes regiões do país durante os últimos anos, período que coincide com o terceiro mandato do presidente Lula.
Uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em parceria com o Datafolha, apontou que cerca de 68 milhões de brasileiros vivem em áreas com presença de facções criminosas ou milícias, o equivalente a 41% da população considerada pelo levantamento. Entre essas pessoas, quase metade afirma que a atuação desses grupos é “visível” ou “muito visível”.
O avanço territorial fica ainda mais evidente na Amazônia Legal. Segundo o levantamento “Cartografias da Violência na Amazônia”, do FBSP, o número de municípios da região com influência de facções passou de 178 em 2023 para 260 em 2024 e chegou a 344 em 2025. Em apenas dois anos, portanto, a presença dessas organizações praticamente dobrou e já alcança quase metade dos municípios da Amazônia Legal.
O Comando Vermelho aparece como a organização com maior expansão na região. Em 2025, a facção estava presente em 286 municípios da Amazônia Legal, mais que o dobro do registrado em 2023. Já o PCC aparecia em 90 municípios. Diferentes organizações disputam rotas, territórios e mercados ilegais na região.
Os números mostram uma expansão preocupante ocorrida durante o atual governo Lula, mas os levantamentos não estabelecem que a mudança de governo tenha causado esse crescimento. O fortalecimento das facções é um fenômeno de décadas e envolve fatores como sistema prisional, tráfico internacional de drogas, disputas territoriais, fronteiras, lavagem de dinheiro e políticas estaduais e federais de segurança.
O cenário também mostra que o crime organizado deixou de ser apenas uma questão relacionada ao tráfico de drogas. Facções e milícias passaram a exercer influência sobre diferentes atividades econômicas e sobre o cotidiano de milhões de brasileiros.
Outro levantamento, baseado em informações do Coaf analisadas pelo Instituto Esfera em parceria com o FBSP, apontou que tráfico de drogas e facções criminosas representaram 48,5% das ocorrências criminais mencionadas nos Relatórios de Inteligência Financeira produzidos em 2024.
O cenário coloca a segurança pública e o enfrentamento ao crime organizado entre os grandes desafios nacionais. Embora boa parte do policiamento ostensivo e das investigações seja responsabilidade dos estados, o governo federal também possui papel estratégico no combate a organizações interestaduais e internacionais, tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e crimes nas fronteiras.



