O governo brasileiro elaborou nesta quarta-feira (3), um documento que será encaminhado ao Congresso dos Estados Unidos e a autoridades americanas propondo uma pauta de cooperação bilateral para o combate ao crime organizado transnacional, com foco especial no Primeiro Comando da Capital (PCC), no Comando Vermelho (CV), na lavagem de dinheiro e no tráfico internacional de armas e drogas. A iniciativa foi tomada por conta do aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington após o governo americano classificar facções brasileiras como organizações terroristas e ampliar investigações comerciais envolvendo o Brasil.
No documento, o governo sustenta que o enfrentamento às organizações criminosas deve ocorrer por meio da cooperação institucional entre os dois países, sem medidas unilaterais que possam afetar a soberania brasileira. A principal aposta da proposta é atacar a estrutura financeira das facções. O texto defende a ampliação do intercâmbio de informações entre órgãos brasileiros e americanos para identificar movimentações suspeitas, empresas de fachada, remessas internacionais, criptoativos, fundos de investimento e mecanismos utilizados para ocultação de recursos ilícitos.
A avaliação do governo é que o crime organizado se fortalece quando consegue transformar atividades ilegais em capacidade financeira, expandindo sua influência sobre territórios, atividades econômicas e redes de corrupção. O documento também defende a proteção do sistema financeiro brasileiro, incluindo bancos, fintechs e o Pix, contra eventuais medidas amplas que possam gerar impactos econômicos sem relação direta com investigações específicas. A avaliação no documento é que o combate ao PCC, ao Comando Vermelho e a outras organizações criminosas depende de inteligência financeira, cooperação internacional, recuperação de ativos e integração entre órgãos de investigação dos dois países, sem que isso implique interferências na soberania nacional.







