A CEO da Lupo, Liliana Aufiero, confirmou que a decisão de mover parte da fabricação da tradicional marca de meias e lingeries para o Paraguai já resultou em uma diminuição de 15% nos gastos operacionais. A expectativa é que essa economia atinja 30% à medida que a operação paraguaia se estabeleça plenamente. “Nosso objetivo é ter uma estrutura robusta, com 400 teares. Com 60% da meta já alcançada, já percebemos uma redução de 15% nos custos”, declarou Aufiero em um evento em São Paulo.
A realocação para fora do Brasil, após 104 anos de atuação exclusiva no país, não foi uma escolha voluntária. Essa mudança está diretamente ligada às consequências da Lei 14.789/2023, que modificou o regime tributário de incentivos fiscais estaduais e municipais, elevando as despesas operacionais no território nacional.
Sancionada no final de 2023 pelo presidente Lula, com o intuito de aumentar a arrecadação, a legislação eliminou a isenção de impostos federais sobre benefícios fiscais estaduais, como os relacionados ao ICMS. “Não foi a Lupo que buscou o Paraguai, mas o Brasil nos direcionou para lá. A carga tributária está consumindo a operação de forma agressiva”, afirmou a CEO em uma entrevista anterior.
O investimento na unidade paraguaia foi de R$ 30 milhões e terá capacidade de fabricar até 20 milhões de pares de meias anualmente. A empresa também possui fábricas em Araraquara (SP), Itabuna (BA) e Pacatuba (CE), com uma produção total de 90 milhões de meias por ano. A nova fábrica, localizada em Ciudad del Este, opera sob o regime de maquila, que oferece isenção na importação de maquinário e matéria-prima, além de uma taxa de apenas 1% sobre exportações.







