Dados de dezembro de 2025 indicam que a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta sinais claros de desgaste no Nordeste, região que historicamente funciona como sua principal base eleitoral. Embora o índice de aprovação ainda seja o mais alto do país quando comparado a outras regiões, a tendência recente preocupa o governo.
Ao longo de 2025, pesquisas de institutos como Datafolha e Quaest registraram oscilações significativas. Nos meses de fevereiro e abril, a aprovação de Lula no Nordeste chegou a cair para patamares próximos de 33%, com momentos de empate técnico entre aprovação e desaprovação, cenário incomum para a região.
Levantamentos mais recentes mostram uma estabilidade negativa. A pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 16 de dezembro de 2025, aponta que, no cenário nacional, o governo tem 48% de aprovação contra 49% de desaprovação, caracterizando empate técnico. No recorte regional mais recente disponível, referente a setembro e outubro, o Nordeste ainda registra cerca de 60% de aprovação, porém com crescimento expressivo da desaprovação, que já atinge 37%, um dos maiores índices da série histórica local.
O desgaste é mais visível entre eleitores de baixa renda, especialmente aqueles que recebem até dois salários mínimos, e entre mulheres, grupos tradicionalmente favoráveis ao presidente. Entre os principais fatores apontados estão insatisfação com a economia, preocupação com a segurança pública e críticas à condução do combate à corrupção.
Mesmo com a queda, o Nordeste segue como o principal reduto eleitoral do governo. Enquanto a aprovação na região permanece em torno de 60%, os índices caem para 41% no Sudeste e 39% no Sul, evidenciando a dificuldade do Planalto em ampliar apoio fora de sua base histórica.
Diante desse cenário, o governo encerra 2025 tentando conter a erosão de apoio com foco em pautas sensíveis ao eleitorado nordestino, como o combate a crimes sexuais, ações sociais e obras de infraestrutura, entre elas a transposição do Rio São Francisco, usada novamente como vitrine política para recuperar popularidade.







