A recente revelação de Viih Tube sobre ter sofrido abuso aos 7 anos de idade — descrito por ela como sua “primeira experiência sexual” — acende um alerta sobre os limites da vulnerabilidade online. Embora o compartilhamento de traumas possa ter um caráter terapêutico ou de identificação, a forma como relatos tão sensíveis são despejados no fluxo contínuo das redes sociais levanta dúvidas sobre a espetacularização da dor em busca de engajamento.
Como uma das maiores influenciadoras do nicho materno-infantil, Viih Tube carrega a responsabilidade de pautar a segurança das crianças. Ao expor um abuso de forma crua, sem um direcionamento educativo ou suporte de especialistas na publicação, a influenciadora corre o risco de gerar gatilhos em sua audiência sem oferecer as ferramentas necessárias para o processamento dessa informação, transformando uma tragédia pessoal em manchete de entretenimento.
A contradição é latente: enquanto constrói uma marca baseada na proteção e no cuidado com a filha, a influenciadora expõe as cicatrizes de sua própria infância ao tribunal da internet. Esse movimento flerta com o sensacionalismo, especialmente quando o relato surge entre conteúdos publicitários e rotinas familiares, diluindo a gravidade do abuso infantil em meio ao consumo de conteúdo efêmero e algoritmos de atenção.







