A República Tcheca aprovou uma mudança em seu Código Penal que passa a criminalizar a promoção, o apoio ou a divulgação do comunismo, equiparando essa ideologia ao nazismo no ordenamento jurídico do país. A nova lei foi sancionada em 2025 e entra em vigor em 1º de janeiro de 2026, prevendo penas que podem chegar a até cinco anos de prisão para quem for considerado culpado por promover movimentos classificados como totalitários.
De acordo com o texto legal, serão enquadradas ações que defendam ou incentivem ideologias e organizações que tenham como objetivo suprimir direitos humanos e liberdades fundamentais ou que promovam o ódio baseado em classe, etnia, nacionalidade ou religião. O comunismo foi explicitamente incluído nesse grupo sob o entendimento de que, assim como o nazismo, esteve associado a regimes autoritários responsáveis por graves violações de direitos.
Autoridades tchecas e instituições dedicadas à preservação da memória histórica argumentam que o comunismo, ao longo do século XX, esteve ligado a regimes que resultaram na morte de milhões de pessoas em diferentes países, seja por repressão política, perseguições, prisões em massa ou políticas estatais autoritárias. Esse histórico é frequentemente citado como justificativa para a equiparação legal entre comunismo e outras ideologias totalitárias.
A experiência da antiga Tchecoslováquia entre 1948 e 1989 é usada como referência central nesse debate. Durante o período comunista, o país viveu sob partido único, censura, limitação de liberdades individuais e perseguição a opositores, cenário que marcou profundamente a sociedade e influenciou a formulação da nova lei.
Críticos da medida afirmam que a legislação pode ser excessivamente ampla e gerar riscos à liberdade de expressão e à atuação política legal, enquanto defensores sustentam que o objetivo é impedir a reabilitação de ideologias associadas a regimes que causaram sofrimento em larga escala. Com a entrada em vigor da lei em 2026, a República Tcheca reforça sua posição de repúdio ao comunismo enquanto sistema político, ao mesmo tempo em que reacende o debate sobre os limites entre memória histórica, justiça e democracia.







