O ex-presidente Michel Temer afirmou que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas não representa uma ameaça à soberania brasileira. A declaração foi dada durante o Fórum de Lisboa, onde Temer defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado e afirmou que o principal objetivo deve ser enfraquecer as facções criminosas.
Segundo Temer, o crime organizado deixou de ser um problema restrito às fronteiras nacionais e passou a atuar de forma internacional, exigindo ações conjuntas entre diferentes países. Para ele, o Brasil deve manter sua autonomia e não aceitar interferências em assuntos internos, mas isso não impede a colaboração entre órgãos de segurança brasileiros e estrangeiros.
A classificação anunciada pelo governo dos Estados Unidos passa a tratar PCC e CV como organizações terroristas globais, permitindo o uso de mecanismos mais rígidos de rastreamento financeiro, bloqueio de ativos e cooperação internacional. As autoridades americanas justificaram a medida alegando que as duas facções expandiram suas atividades para além do Brasil e possuem influência em diversos países das Américas.
Enquanto integrantes do governo federal demonstraram preocupação com possíveis impactos sobre a soberania nacional, Temer adotou posição diferente e afirmou que o foco do debate deveria estar no combate ao crime organizado. Para o ex-presidente, a classificação em si é menos importante do que os resultados que ela pode gerar no enfrentamento às facções criminosas.
A discussão ocorre em meio ao aumento da pressão internacional contra grupos criminosos brasileiros, que passaram a ser vistos por diversos governos como organizações com atuação transnacional e capacidade de movimentar grandes volumes de recursos por meio do tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.



