Fernando Haddad voltou a falar sobre a chamada “taxa das blusinhas” nesta segunda-feira (10). Em entrevista à CNN, o ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo afirmou que a tributação das compras internacionais de baixo valor foi uma demanda apresentada pelo varejo brasileiro para reduzir a diferença de tratamento tributário em relação aos produtos importados.
“Foi um pedido do varejo, não tem a ver comigo”, afirmou Haddad ao comentar a origem da medida. A declaração, porém, abre espaço para uma pergunta que rapidamente apareceu no debate político: se a reivindicação dos empresários foi considerada para justificar a criação da cobrança, por que pedidos do setor produtivo pela redução da carga tributária nem sempre recebem o mesmo tratamento?
A chamada “taxa das blusinhas” estabeleceu cobrança federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 e entrou em vigor em agosto de 2024. Entidades da indústria e do varejo defenderam a medida sob o argumento de que empresas brasileiras enfrentavam concorrência desigual com plataformas estrangeiras.
Haddad, entretanto, teve participação pública na defesa da tributação quando integrava o governo. Reportagem publicada em maio deste ano relembrou que ele estava entre os integrantes da gestão que inicialmente defenderam a cobrança sobre as importações de pequeno valor.
A medida tornou-se impopular e acabou revogada pelo governo Lula em maio de 2026. Uma medida provisória zerou novamente o imposto federal de 20%, e plataformas internacionais retiraram a cobrança de seus sistemas.
A nova declaração de Haddad, portanto, reacende uma discussão mais ampla sobre a política tributária: até que ponto o governo deve atender às reivindicações empresariais quando elas envolvem aumento de impostos para consumidores e qual deve ser a resposta quando o mesmo setor reivindica redução de tributos e custos para produzir e contratar no Brasil?







