Em um dos episódios mais inéditos de escândalo político no Maranhão em 2025, o prefeito de Turilândia (MA), Paulo Curió (União Brasil), a vice‑prefeita Tânia Mendes e todos os vereadores do município foram presos durante a Operação Tântalo II, que investiga um suposto esquema de desvio de mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos.
A ação desta semana resultou no cumprimento de mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e na detenção cautelar de membros da cúpula política da cidade. Entre os principais alvos estão o prefeito e a vice, além de todos os 11 vereadores — todos acusados de participação no esquema criminoso, o que levou observadores a ironizarem que “só ficou o porteiro” no prédio da prefeitura.
Segundo o Ministério Público do Maranhão (MP‑MA), a quadrilha teria operado por meio de empresas de fachada, contratos fictícios e licitações fraudadas para desviar recursos públicos entre 2021 e 2025, impactando verbas essenciais para áreas como Saúde e Assistência Social no município.
A operação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do MP‑MA com apoio da Justiça local, encontrou indícios de que o dinheiro desviado retornava aos agentes políticos por meio de notas fiscais frias e pagamentos irregulares. Parte dos envolvidos já cumpre prisão preventiva na Unidade Prisional de Ressocialização de Pedrinhas, em São Luís, enquanto outros aguardam medidas cautelares como prisão domiciliar ou uso de tornozeleira eletrônica.
A Justiça também determinou bloqueios de bens e o afastamento de funções públicas dos investigados, numa tentativa de estancar os prejuízos aos cofres municipais e permitir que a administração local continue operando sob nova liderança interina — o presidente da Câmara deve assumir a prefeitura temporariamente.
O caso expõe um dos maiores esquemas de corrupção já apurados em um município de pequeno porte no Brasil, e levanta questões sobre a necessidade de fiscalização mais rigorosa e transparência na gestão pública, especialmente em cidades com recursos escassos e população dependente de serviços básicos.







