Em meio ao agravamento da crise diplomática com a Argentina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende incluir a defesa nacional em seu próximo programa de governo. A declaração ocorreu após o presidente argentino, Javier Milei, visitar o Brasil, apoiar adversários do petista e fazer ataques públicos contra Lula em pleno território brasileiro.
Durante sua passagem por São Paulo, Milei chamou Lula de “presidiário” e acusou o governo brasileiro de ser comandado por “socialistas ladrões”. O argentino também participou de compromissos políticos com representantes da direita, sem realizar qualquer encontro institucional com o presidente da República.
A postura foi interpretada como mais um sinal do enfraquecimento da relação pessoal entre os líderes dos dois maiores países da América do Sul. Como reação, o governo brasileiro chamou para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli.
Pouco depois da nova crise, Lula declarou que pretende assumir um compromisso público com investimentos na defesa nacional. O presidente citou o crescimento do poder militar de países como Estados Unidos, Rússia, China, Índia, Paquistão e Coreia do Norte, mencionando que várias dessas nações possuem bombas nucleares.
Apesar da referência, Lula não defendeu que o Brasil produza uma bomba atômica. O petista afirmou que o país continuará sendo uma nação pacífica, mas argumentou que precisa fortalecer suas Forças Armadas, sua indústria de defesa e sua capacidade de proteger o território nacional diante das mudanças no cenário internacional.
“Pela primeira vez, eu vou colocar a questão da defesa nacional em um programa de governo, para que a gente possa assumir um compromisso público”, declarou Lula.
A fala ocorre em um momento no qual o governo brasileiro enfrenta questionamentos sobre sua capacidade de responder politicamente aos ataques de líderes estrangeiros. Para críticos, o episódio envolvendo Milei mostrou que Lula foi desrespeitado dentro do próprio país, enquanto o argentino recebeu apoio e tratamento institucional de integrantes da oposição.
Fontes: Reuters, Associated Press, O Globo e CNN Brasil. (AP News)



