A diferença de repercussão entre declarações de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva voltou a alimentar acusações de dois pesos e duas medidas no meio artístico. Em 2022, quando Bolsonaro relatou um encontro com adolescentes venezuelanas e utilizou a expressão “pintou um clima”, a fala provocou forte reação nas redes. Luciano Huck, por exemplo, criticou publicamente a declaração e afirmou que exploração sexual infantil não poderia ser tratada com normalidade. O episódio também gerou milhões de menções relacionadas à pedofilia nas redes sociais.
Agora, Lula virou alvo de críticas depois de afirmar, durante um discurso sobre prevenção ao câncer de próstata, que “as mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas”. O contexto completo mostra que o presidente se referia a exames médicos e comparava a disposição das mulheres para realizar procedimentos preventivos com a resistência de muitos homens ao exame de próstata. Mesmo assim, a escolha das palavras provocou forte repercussão e críticas de adversários.
A comparação entre os dois episódios passou a ser usada por críticos de Lula para questionar se personalidades que reagiram duramente à declaração de Bolsonaro aplicariam o mesmo rigor ao atual presidente. Até o momento, porém, não há comprovação de que os mesmos “globais”, como grupo, tenham respondido à fala recente de Lula com a frase “esse é o meu presidente”. A crítica ao eventual silêncio ou tratamento diferente pode ser feita, mas atribuir essa reação específica ao grupo exigiria identificar quem efetivamente publicou a declaração.







