País se mobiliza por morte de cão enquanto escândalos bilionários avançam em silêncio
Manifestações por todo o país pedindo justiça pela morte do cão Orelha mostram um sentimento legítimo de indignação diante de um crime cruel que chocou a população. Neste domingo, 1º de fevereiro de 2026, a Avenida Paulista reuniu ativistas, tutores e cidadãos no vão do MASP, todos clamando por responsabilização no caso ocorrido em Santa Catarina. A comoção é compreensível e revela uma sociedade cada vez mais sensível à causa animal.
O caso do cão comunitário da Praia Brava, em Florianópolis, ganhou contornos nacionais após a confirmação de agressões praticadas por adolescentes. A investigação avançou, identificou suspeitos, apurou coação de testemunhas e corrigiu versões iniciais ao reclassificar um jovem como testemunha após análise de imagens. Houve ainda retorno antecipado de investigados ao Brasil, o que reforçou a atenção pública sobre o desfecho do caso.
O contraste chama atenção quando, ao mesmo tempo, o país assiste ao que vem sendo apontado como o maior escândalo da década envolvendo o Banco Master e denúncias de fraude no INSS. São suspeitas com impacto potencial bilionário, capazes de afetar milhões de brasileiros e a credibilidade das instituições. Ainda assim, o tema avança de forma tímida no debate público, sem mobilizações equivalentes ou pressão popular contínua.
Não se trata de diminuir a gravidade da morte do cão Orelha, que merece justiça e punição exemplar. A crítica é ao desequilíbrio da atenção coletiva. Enquanto tragédias simbólicas mobilizam ruas e redes, escândalos estruturais que drenam recursos públicos e corroem a confiança nacional seguem à margem. Um país maduro precisa ser capaz de se indignar com ambos — e exigir respostas à altura.







