Um professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) foi autorizado a se afastar por 90 dias para desenvolver, em Lisboa, um projeto de pesquisa intitulado “O trabalho surdo da destruição: pessimismo cristão e niilismo nos primeiros romances de Machado de Assis à luz do cristofascismo bolsonarista”. A licença foi publicada no Diário Oficial da União e ocorrerá entre setembro e novembro deste ano.
Durante o período, o docente continuará recebendo normalmente seu salário por meio da licença para capacitação concedida pela Ufes. Além disso, o projeto foi contemplado em um edital da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), com previsão de auxílio de aproximadamente R$ 32,8 mil para o estágio técnico-científico no exterior. Segundo as informações divulgadas, a universidade informou que não custeará passagens nem diárias, mas a remuneração do servidor será mantida.
A iniciativa repercutiu nas redes sociais e gerou críticas de parlamentares, influenciadores e internautas, que questionam o uso de recursos públicos em uma pesquisa com esse recorte temático e defendem que universidades federais priorizem estudos considerados de maior impacto prático para a sociedade.
Por outro lado, defensores da pesquisa afirmam que universidades públicas possuem autonomia acadêmica para desenvolver investigações em diferentes áreas do conhecimento e que o projeto foi aprovado por meio dos procedimentos institucionais e de editais de fomento à pesquisa. O caso reacendeu o debate sobre o financiamento público da produção científica e os critérios para concessão de licenças de capacitação e bolsas de pesquisa.







