O professor Túlio provocou repercussão nas redes sociais ao responsabilizar o ex-presidente Jair Bolsonaro pelo fato de reduções promovidas pela Petrobras não chegarem integralmente ao preço pago pelos motoristas nos postos de combustíveis.
“A Petrobras está baixando o preço da gasolina! Mas o preço não desce nos postos porque Bolsonaro vendeu a BR Distribuidora em 2019! Espalhem!”, escreveu o professor.
A publicação gerou críticas principalmente por Bolsonaro ter deixado a Presidência em janeiro de 2023, enquanto Lula está em seu quarto ano do atual mandato. Internautas questionaram até quando decisões tomadas pelo governo anterior continuarão sendo apontadas como responsáveis por problemas enfrentados atualmente.
Apesar da provocação política, existe um fato por trás do argumento apresentado por Túlio. A Petrobras iniciou a venda de sua participação na BR Distribuidora em 2019 e concluiu sua saída da companhia em 2021, durante o governo Bolsonaro. Posteriormente, a empresa passou a se chamar Vibra Energia.
Com a saída da Petrobras do setor de distribuição, a estatal deixou de controlar diretamente uma grande distribuidora responsável pela etapa entre as refinarias e os postos. Isso, entretanto, não significa que a venda da BR Distribuidora seja a única responsável pelo preço atual da gasolina.
O valor encontrado pelo consumidor na bomba é resultado de diferentes componentes, incluindo preço nas refinarias, impostos, custo do etanol anidro misturado à gasolina e margens de distribuição e revenda.
Dados debatidos inclusive no Congresso mostram que, em períodos recentes, reduções no preço cobrado pela Petrobras foram acompanhadas por aumento das margens de distribuição e revenda, fazendo com que parte das quedas não chegasse integralmente ao consumidor.
A discussão, portanto, é mais complexa do que simplesmente atribuir a gasolina cara a Bolsonaro ou ao atual governo. Ainda assim, a declaração do professor Túlio chamou atenção justamente por responsabilizar uma decisão tomada há vários anos pelo preço que os brasileiros encontram atualmente nas bombas, em pleno governo Lula.







