Uma reportagem da BBC News Brasil reproduzida pela Folha de S.Paulo chamou atenção ao afirmar que o ditador Kim Jong-un promoveu uma “transformação milagrosa” na economia da Coreia do Norte e que o regime estaria “mais rico do que nunca”.
O enquadramento, porém, contrasta com o tamanho ainda reduzido da economia norte-coreana. Como o país não divulga estatísticas econômicas confiáveis, as principais estimativas são produzidas pelo Banco da Coreia do Sul, com base em informações comerciais, dados de inteligência e análises da produção interna.
Segundo o órgão, o Produto Interno Bruto da Coreia do Norte cresceu 3,7% em 2024, alcançando aproximadamente US$ 26,6 bilhões. O avanço foi o maior em oito anos e teria sido impulsionado principalmente pela indústria pesada, pela mineração, pela construção e pelo fortalecimento da cooperação econômica e militar com a Rússia.
Apesar do crescimento percentual, a economia do país continua pequena. Para efeito de comparação, o Maranhão registrou PIB de R$ 149,2 bilhões em 2023. Após a conversão cambial, os valores colocam a economia maranhense e a norte-coreana em uma faixa semelhante, embora a comparação não seja exata por envolver anos, moedas e metodologias diferentes.
A renda por habitante também mostra a distância entre crescimento econômico e prosperidade da população. A renda nacional bruta per capita da Coreia do Norte foi estimada em apenas US$ 1.239 em 2024, equivalente a 3,4% do resultado registrado na Coreia do Sul.
Além disso, parte importante do crescimento recente estaria relacionada à aproximação com Moscou e ao fornecimento de produtos ligados à indústria militar russa. Isso significa que o enriquecimento mencionado na reportagem pode estar concentrado no Estado, nas Forças Armadas e nas elites ligadas ao regime, sem necessariamente representar melhoria proporcional nas condições de vida da população.
Portanto, dizer que o regime está “mais rico do que nunca” pode descrever o fortalecimento financeiro e estratégico do governo de Kim Jong-un. A expressão “transformação milagrosa”, entretanto, exige cautela diante de uma economia ainda comparável à de um estado brasileiro e marcada pela ausência de transparência, pelo isolamento internacional e por uma renda per capita extremamente baixa.
Fontes: Folha de S.Paulo; BBC News Brasil; Banco da Coreia do Sul; Reuters; IBGE; Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos. (Folha de S.Paulo)







