A decisão da Polícia Federal de transferir a coordenação dos inquéritos que apuram as fraudes bilionárias no INSS gerou forte repercussão política em Brasília. Os casos deixaram a área especializada em crimes previdenciários e passaram para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq), setor responsável por investigações que envolvem autoridades com foro privilegiado.
A mudança chamou atenção porque uma das linhas de investigação alcança o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A troca também provocou questionamentos de parlamentares da oposição e do ministro do STF, André Mendonça, que pediu esclarecimentos à Polícia Federal e cobrou garantias de independência na condução das apurações.
Em nota, a Polícia Federal negou qualquer interferência política e afirmou que a alteração ocorreu por questões administrativas e de estrutura, acrescentando que os mesmos delegados continuam atuando nos inquéritos. Segundo relatos divulgados pela imprensa, a corporação também informou que a mudança teria ocorrido após pedido do então responsável pela área para retornar ao seu estado de origem.
Nas redes sociais, a troca alimentou críticas de opositores do governo. Internautas passaram a questionar se haveria tentativa de influência sobre as investigações e cobraram maior atenção da imprensa ao episódio. Até o momento, porém, não foram apresentadas provas de interferência do presidente Lula na decisão administrativa da Polícia Federal, que segue sendo alvo de debate político e de pedidos de esclarecimento por parte da oposição.



