A divulgação de documentos oficiais e relatórios de segurança dos Estados Unidos reacendeu o debate sobre os possíveis efeitos adversos de algumas vacinas contra a Covid-19. Internautas passaram a afirmar que “o tempo inocentou Bolsonaro”, argumentando que alertas feitos durante a pandemia sobre riscos de eventos trombóticos acabaram sendo reconhecidos por órgãos de saúde norte-americanos.
Entre os documentos citados estão relatórios da Food and Drug Administration (FDA) que identificaram, durante o monitoramento de segurança, sinais que justificaram investigações sobre possíveis associações entre determinadas vacinas e eventos como embolia pulmonar, trombose venosa profunda e outras complicações tromboembólicas. O próprio órgão ressaltou, porém, que esses sinais iniciais não significavam, por si só, uma relação causal confirmada e exigiam análises adicionais.
Também em 2021, a FDA e o CDC recomendaram uma pausa temporária na aplicação da vacina da Janssen (Johnson & Johnson) após a identificação de casos raros de trombose associada à queda de plaquetas. Posteriormente, o imunizante passou a trazer advertências específicas sobre esse risco, considerado raro, mas plausível pelas autoridades regulatórias.
Durante a pandemia, Jair Bolsonaro fez diversas críticas às campanhas de vacinação e levantou questionamentos sobre possíveis efeitos adversos dos imunizantes. À época, suas declarações foram amplamente contestadas por especialistas e por autoridades sanitárias, que defendiam que os benefícios da vacinação superavam os riscos para a população em geral.
A divulgação dos documentos voltou a alimentar discussões nas redes sociais. Enquanto apoiadores do ex-presidente afirmam que os registros confirmam que havia riscos minimizados durante a pandemia, especialistas destacam que a existência de eventos adversos raros nunca foi completamente descartada e que sistemas de farmacovigilância existem justamente para identificar e investigar esse tipo de ocorrência, mantendo a avaliação de risco-benefício dos imunizantes.
Fonte: FDA, CDC.







