O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu afastar por dois anos a juíza federal Gabriela Hardt, que atuou na 13ª Vara Federal de Curitiba durante a Operação Lava Jato e condenou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo envolvendo o sítio de Atibaia.
A decisão foi tomada na terça-feira (4), durante o julgamento de um processo administrativo disciplinar. A maioria dos conselheiros acompanhou o voto que aplicou a pena de disponibilidade por dois anos. Durante esse período, Hardt ficará afastada de suas funções e receberá remuneração proporcional ao tempo de serviço.
O processo analisou a participação da magistrada na tentativa de criação de uma fundação privada que administraria aproximadamente R$ 2,5 bilhões recuperados em acordos firmados no âmbito da Lava Jato. Segundo a acusação examinada pelo CNJ, o dinheiro seria destinado a uma entidade ligada a integrantes da própria força-tarefa. Hardt havia homologado o acordo que previa a criação da fundação.
A juíza ganhou projeção nacional após substituir Sergio Moro na condução dos processos da Lava Jato em Curitiba. Em fevereiro de 2019, ela condenou Lula a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do sítio de Atibaia. Essa condenação foi posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal juntamente com outros processos contra Lula conduzidos pela Justiça Federal do Paraná.
Nas redes sociais, críticos da decisão utilizaram a expressão popular “o poste mijando no cachorro” para argumentar que integrantes da Lava Jato acabaram sendo investigados e punidos, enquanto Lula retornou à Presidência da República. Já os defensores do afastamento afirmam que o julgamento não tratou da condenação do petista, mas da conduta administrativa da magistrada no acordo envolvendo os recursos recuperados pela operação.
A punição aplicada pelo CNJ não significa perda definitiva do cargo. A defesa de Hardt poderá questionar a decisão judicialmente.







