A diferença na repercussão política de dois escândalos bancários na América do Sul chama a atenção. No Paraguai, o presidente Santiago Peña anunciou sua renúncia apenas dois dias após a intervenção no Ueno Bank, instituição financeira envolvida em suspeitas de irregularidades e na qual o mandatário havia sido acionista.
A crise começou em 3 de novembro, quando o Banco Central paraguaio interveio na instituição, deixando milhões de clientes temporariamente sem acesso ao dinheiro. Em 5 de novembro, diante de protestos populares e da ameaça de impeachment, Peña anunciou sua renúncia. No dia seguinte, foi destituído pelo Senado e colocado em prisão domiciliar, sob suspeita de quebra de confiança. Ele nega irregularidades.
Enquanto isso, no Brasil, o escândalo bilionário do Banco Master continua provocando questionamentos sobre a fiscalização do sistema financeiro e as relações entre empresários, autoridades e instituições públicas.
Segundo a Polícia Federal, operações envolvendo carteiras de crédito irregulares do Master provocaram prejuízos estimados em R$ 2,7 bilhões ao Banco de Brasília (BRB). O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março, e outros 14 investigados foram indiciados. As apurações continuam, sem uma conclusão judicial definitiva sobre todas as responsabilidades.
Apesar da repercussão do caso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito em outubro, conquistando mais quatro anos de mandato. Não há, porém, comprovação de participação pessoal de Lula nas fraudes investigadas.
O contraste entre os episódios reacende o debate sobre a velocidade das respostas institucionais, a responsabilidade de autoridades públicas e a necessidade de punições efetivas para quem for condenado. Para os cidadãos que acompanham os dois casos, permanece uma cobrança: que o poder econômico ou político não sirva de proteção contra a Justiça.
Fontes: Associated Press, Agência Brasil, Polícia Federal e Tribunal Superior Eleitoral.

