“No filme do Bolsonaro ele é capitão, estuda, se forma, vira presidente. O do Lula ele é ladrão, analfabeto, vagabundo e pinguço.” A frase, dita por uma eleitora e amplamente compartilhada nas redes sociais, sintetiza o atual nível de polarização política que domina o Brasil e agora também invade as telas do cinema. Mais do que simples entretenimento, produções sobre líderes políticos passaram a funcionar como instrumentos de disputa ideológica e narrativa.
De um lado, apoiadores de Jair Bolsonaro comemoram a repercussão internacional de produções inspiradas em sua trajetória, como o longa “Dark Horse”, que retrata desde sua formação na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), a carreira no Exército como capitão e a chegada à Presidência da República. Para admiradores do ex-presidente, essas obras reforçam uma imagem ligada à disciplina, patriotismo e ascensão pessoal construída através da carreira militar e da política.
Do outro lado, Luiz Inácio Lula da Silva continua sendo retratado de maneiras completamente opostas dependendo da visão política do espectador. Enquanto produções como “Lula, o Filho do Brasil” focaram na infância pobre, na trajetória sindical e na superação pessoal do petista, documentários e séries posteriores sobre a Operação Lava Jato ajudaram a consolidar, para parte da população, uma imagem ligada a escândalos de corrupção e processos judiciais que marcaram o debate político brasileiro na última década.
A frase viralizada nas redes evidencia como a política brasileira deixou de ser apenas uma disputa eleitoral para se transformar em um conflito cultural permanente. Em um ambiente dominado por algoritmos, bolhas ideológicas e consumo emocional de conteúdo, cada grupo político escolhe a narrativa que confirma sua própria visão de mundo. Assim, filmes, séries e documentários deixam de ser apenas arte ou biografia e passam a funcionar como peças de propaganda emocional para públicos já radicalizados.
O fenômeno também mostra como a figura de Bolsonaro e Lula ultrapassou os limites tradicionais da política, entrando definitivamente no imaginário popular como personagens simbólicos de dois projetos de país completamente distintos. Enquanto um lado tenta glorificar suas virtudes, o outro busca destacar seus defeitos, transformando cinema, streaming e redes sociais em extensões da própria guerra política brasileira.







