Uma declaração atribuída ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele, voltou a ganhar repercussão nas redes sociais ao defender que os governos possuem meios para enfrentar organizações criminosas quando existe decisão política.
“Não existe Estado que não possa combater o crime. Se um Estado não derrota o crime, é porque é cúmplice”, afirma a frase divulgada em diferentes publicações. A declaração resume o discurso adotado por Bukele para justificar sua política de segurança pública, baseada no fortalecimento das forças de segurança, no endurecimento das leis e na prisão em massa de integrantes de gangues.
Desde que assumiu a Presidência, em 2019, Bukele transformou o combate às facções Mara Salvatrucha e Barrio 18 em uma das principais bandeiras de seu governo. Em março de 2022, após uma onda de assassinatos, El Salvador decretou um regime de exceção que ampliou os poderes das autoridades e restringiu determinadas garantias individuais.
Os resultados na redução da violência são reconhecidos até mesmo por entidades críticas ao governo. Segundo números oficiais mencionados pela Human Rights Watch, a taxa de homicídios, que chegou a aproximadamente 105 mortes por 100 mil habitantes em 2015, caiu de forma acentuada e atingiu seu menor nível histórico em 2024.
Para os apoiadores de Bukele, o caso salvadorenho demonstra que o Estado consegue recuperar territórios dominados pelo crime quando abandona a tolerância com criminosos e utiliza sua estrutura de forma coordenada. O presidente passou, assim, a ser citado em outros países como exemplo de liderança rígida na área da segurança.
O modelo, porém, também enfrenta fortes questionamentos. Organizações como Anistia Internacional e Human Rights Watch denunciam prisões arbitrárias, ausência de garantias processuais, tortura, mortes sob custódia e detenções de pessoas sem provas suficientes de ligação com gangues.
Bukele rejeita as críticas e sustenta que seu governo devolveu tranquilidade à população depois de décadas de domínio das facções. A frase atribuída ao presidente reacende o debate sobre até que ponto a permanência do crime organizado está ligada à falta de capacidade do Estado ou à ausência de interesse político em enfrentá-lo.
Apesar da ampla circulação da declaração em português, não foi localizado, até o momento, um registro oficial que permita confirmar com segurança o discurso original e a data exata em que Bukele teria pronunciado essas palavras.
Fontes: Presidência de El Salvador, Human Rights Watch e Anistia Internacional.







