Um levantamento recém-divulgado pelo Instituto Sou da Paz identificou que projéteis de fuzil adquiridos pelo Exército Brasileiro foram encontrados em apreensões ligadas à facção criminosa Comando Vermelho. A investigação detalhada examinou os registros de mais de 31 mil cartuchos intactos, recolhidos em diversas localidades do Brasil, revelando uma preocupante realidade sobre o desvio de material bélico.
O estudo aponta que impressionantes 40% das munições confiscadas de membros da facção, nos incidentes analisados, eram de produção nacional. Além disso, os pesquisadores notaram que alguns desses cartuchos foram fabricados pouco tempo antes de serem apreendidos. A análise, que cruzou laudos periciais e documentos judiciais, evidenciou padrões recorrentes em vários estados e a dificuldade em determinar como munições compradas legalmente chegam ao poder de criminosos.
Desde aproximadamente duas décadas, as munições nacionais destinadas às forças de segurança possuem um código de rastreabilidade gravado. No entanto, mesmo com essa tecnologia, não há um registro claro que permita identificar compradores secundários ou a trajetória completa desses itens. Bruno Langeani, consultor do Instituto Sou da Paz, ressaltou que “essa fonte de desvio é uma fonte grande, é uma fonte que envolve bastante gente, mas que não conseguiu ser totalmente desbaratada pela polícia”, indicando a complexidade do problema. A organização cobra do Exército a divulgação pública da lista de códigos de compradores, enfatizando o direito da sociedade de saber o destino do dinheiro público.







