Levantamento aponta participação em advocacia, imóveis e conflitos de interesse
Uma investigação de 14 de fevereiro de 2026 revelou que nove ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e doze de seus familiares diretos são sócios de pelo menos 31 empresas. Dentre essas, treze são escritórios de advocacia ou institutos de direito, enquanto seis atuam na gestão, compra, venda e aluguel de propriedades. O número total pode ser maior, visto que sócios ocultos nem sempre são registrados publicamente, como o caso da participação do ministro Dias Toffoli na Maridt, empresa ligada ao resort Tayayá.
A Lei Orgânica da Magistratura permite que juízes sejam sócios e recebam lucros de empresas, contanto que não exerçam cargos administrativos. Não há restrição para filhos e cônjuges. Em sessão de 5 de fevereiro, Alexandre de Moraes defendeu a prática, classificando as críticas como “má-fé”. Toffoli ironizou, sugerindo que juízes teriam que doar heranças se seus pais fossem acionistas. A reportagem tentou contato com os ministros via assessoria, mas não obteve retorno; apenas dois familiares e uma ex-cônjuge comentaram.
Apesar de legal, a participação em empresas privadas levanta questões sobre suspeição ou conflito de interesses. A conexão de Toffoli com o resort Tayayá e o Banco Master, por exemplo, resultou em seu afastamento da relatoria do caso, após a Polícia Federal apontar indícios de suspeita. Toffoli, que não possui registros públicos de empresas, admitiu em 12 de fevereiro ser sócio da Maridt. Guiomar Lima, ex-esposa de Gilmar Mendes, que é sócio de seis empresas, defende a atuação de familiares, mas impõe a si mesma a restrição de não atuar no Supremo.



