O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, retirou o sigilo de parte dos documentos da investigação da Polícia Federal (PF) que apura um suposto esquema de favorecimento envolvendo o antigo Banco Master e o senador Jaques Wagner (PT-BA). A decisão tornou públicos relatórios e elementos reunidos pela PF durante a Operação Compliance Zero, que ainda está em andamento.
Segundo os investigadores, há indícios de que Jaques Wagner teria recebido vantagens econômicas de pessoas ligadas ao Banco Master, em possível relação com sua atuação em temas de interesse da instituição financeira no Congresso. A Polícia Federal ressalta que os elementos divulgados integram uma investigação em curso e ainda serão analisados pelo Ministério Público e pelo Supremo Tribunal Federal.
Entre os pontos descritos nos documentos estão a negociação de um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, o uso de aeronaves particulares pertencentes a empresários investigados, o recebimento de presentes e a existência de dezenas de contatos telefônicos entre o senador e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. Os relatórios também citam mensagens e registros obtidos durante a perícia realizada pela PF.
Os documentos indicam que a PF identificou 74 ligações entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima realizadas entre 2023 e 2025, além de mensagens relacionadas a viagens e outros contatos considerados relevantes para a investigação. A corporação afirma que esses elementos reforçam a análise sobre a proximidade entre os envolvidos, mas ainda dependem da conclusão da apuração.
A defesa de Jaques Wagner nega qualquer irregularidade. O senador afirma que seu patrimônio possui origem lícita, declara estar tranquilo quanto às investigações e diz que apresentará esclarecimentos para comprovar sua inocência. Até o momento, não há condenação nem denúncia definitiva decorrente desses fatos.
A retirada do sigilo por André Mendonça não representa julgamento de mérito nem conclusão sobre a responsabilidade dos investigados. A medida apenas tornou públicos documentos que antes estavam protegidos por segredo de Justiça, permitindo maior conhecimento sobre os elementos reunidos pela Polícia Federal durante a investigação.
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