A Lupo, uma das marcas mais tradicionais da indústria têxtil brasileira, anunciou a transferência de parte relevante de suas operações para o Paraguai após 104 anos de atuação no Brasil. A decisão, segundo o CEO da empresa, foi motivada principalmente pela elevada carga tributária e pelo ambiente de negócios cada vez mais hostil à produção industrial no país.
Fundada em 1921, a Lupo atravessou um século inteiro de desafios históricos. Sobreviveu a uma guerra mundial, às grandes crises econômicas de 1929 e 2008, ao Estado Novo de Getúlio Vargas, ao regime militar, a oito trocas de moedas, à hiperinflação, ao confisco das poupanças nos anos 1990 e até à pandemia. Mesmo diante de todos esses episódios, a empresa conseguiu se manter produzindo no Brasil.
O que, segundo a direção, tornou a permanência inviável agora foi o peso de um Estado considerado excessivamente oneroso. O CEO afirma que o Brasil passou a penalizar quem produz, com impostos elevados, burocracia constante, insegurança jurídica e custos trabalhistas que reduzem drasticamente a competitividade frente a outros países da região.
No Paraguai, a empresa encontra um cenário oposto: carga tributária menor, regras mais simples, incentivos à indústria e custos operacionais significativamente reduzidos. Esse conjunto de fatores permite planejar investimentos de longo prazo, ampliar margens e competir no mercado global, algo que se tornou cada vez mais difícil no Brasil.
A saída da Lupo simboliza um movimento mais amplo de desindustrialização e alerta para o impacto das políticas fiscais sobre empresas históricas. Para críticos do atual modelo, o caso evidencia que não são guerras, crises globais ou pandemias que expulsam empresas do país, mas sim um Estado obcecado por taxar, regular e punir quem gera empregos e riqueza.







