O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou o emprego das Forças Armadas nas eleições de 2026 para atuar na garantia da votação e da apuração, além de prestar apoio logístico à Justiça Eleitoral. A participação dos militares, porém, não significa que eles voltarão a exercer o papel de entidade fiscalizadora das urnas eletrônicas, como ocorreu no processo eleitoral de 2022.
A distinção ajuda a entender uma posição defendida pelo próprio Lula nos últimos anos. Durante a campanha presidencial de 2022, o petista afirmou que as Forças Armadas deveriam se dedicar à proteção do território nacional e das fronteiras, e não à fiscalização das urnas. Em julho daquele ano, Lula declarou: “O papel das Forças Armadas não é cuidar de urna eletrônica”, defendendo que essa responsabilidade cabe à Justiça Eleitoral.
Em setembro de 2022, Lula voltou ao assunto e afirmou que os militares não deveriam estar “preocupados em fiscalizar urnas”. Naquele pleito, entretanto, as Forças Armadas integravam a lista de entidades fiscalizadoras do sistema eletrônico de votação e participaram de procedimentos de auditoria. Ao final, o Ministério da Defesa encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um relatório sobre o processo.
Para 2026, o cenário é diferente. A autorização assinada por Lula permite o emprego das Forças Armadas para garantir a realização da votação e da apuração e atender às necessidades logísticas definidas pela Justiça Eleitoral. Entre as atividades já previstas está o transporte de urnas, equipamentos e equipes para regiões de difícil acesso.
Por isso, a expressão “vigiar a eleição” no título se refere à atuação dos militares na segurança e garantia operacional do pleito, e não à fiscalização técnica das urnas eletrônicas. São funções distintas: as Forças Armadas podem participar da estrutura necessária para que a eleição ocorra com segurança, enquanto a fiscalização e auditoria do sistema eletrônico seguem as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
A mudança em relação a 2022 está justamente nesse ponto. Naquela eleição, os militares também participaram formalmente da fiscalização do sistema eletrônico. Em 2026, sua presença está relacionada à segurança da votação, da apuração e ao suporte logístico, mantendo-se separada da função de fiscalizar diretamente as urnas.







