O empresário Joesley Batista, um dos controladores da JBS, afirmou em sua delação premiada de 2017 que valores milionários em propina teriam sido destinados aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Segundo o relato divulgado na época após o STF retirar o sigilo da colaboração, duas contas controladas pelo grupo no exterior teriam acumulado US$ 150 milhões, sendo US$ 70 milhões supostamente destinados a Lula e US$ 80 milhões a Dilma. Joesley apontou o ex-ministro Guido Mantega como interlocutor das operações. (Agência Brasil)
É importante destacar que se tratava de uma acusação feita por Joesley em delação, e não de uma conclusão judicial de que Lula tivesse recebido esse dinheiro. Meses depois, o procurador da República Ivan Cláudio Marx afirmou que a história das supostas contas era “incomprovável”, dizendo que haviam sido solicitados documentos que sustentassem a versão, mas eles não foram apresentados. A defesa de Joesley, por sua vez, negou que o empresário tivesse mentido. (UOL Notícias)
Anos depois, já no terceiro mandato de Lula, a relação do governo com negócios envolvendo os irmãos Batista voltou ao debate político. O Ministério das Relações Exteriores classificou por cinco anos telegramas diplomáticos relacionados aos interesses empresariais dos irmãos Joesley e Wesley Batista na Venezuela. Posteriormente, outros dois telegramas envolvendo a JBS e os Estados Unidos também receberam classificação de cinco anos. (Gazeta do Povo)
O Itamaraty sustentou que a restrição está relacionada ao conteúdo sensível das comunicações diplomáticas. Portanto, o sigilo, por si só, não demonstra irregularidade nem significa que os documentos tratem das acusações feitas por Joesley em 2017. São episódios distintos, embora envolvam os mesmos empresários. (Metrópoles)
A sequência dos acontecimentos, entretanto, alimenta críticas políticas e questionamentos sobre transparência. De um lado, está um empresário que, em 2017, fez graves acusações contra Lula e integrantes de governos petistas; de outro, anos depois, documentos diplomáticos relacionados aos negócios de seu grupo empresarial passaram a ter acesso temporariamente restrito durante o governo Lula.
Nesse contexto, críticos do governo questionam a diferença de tratamento no debate público e recuperam uma provocação recorrente: “E o golpista é o Bolsonaro?” A frase representa uma avaliação política, não uma conclusão jurídica sobre Lula, Bolsonaro ou os irmãos Batista.







