Casos recentes em unidades de pronto atendimento expõem um problema que cresce silenciosamente no sistema de saúde: a confusão institucional causada pela multiplicação de categorias de gênero dissociadas da realidade biológica. Médicos formados para atender homens e mulheres, com base em critérios científicos, anatômicos e clínicos, vêm sendo pressionados a ignorar protocolos médicos para atender exigências identitárias. Em um desses episódios, um homem que se identifica como gênero fluido exigiu ser atendido por um ginecologista em uma UPA, mesmo sem possuir órgãos reprodutivos femininos.
A medicina não é um campo simbólico ou ideológico, mas científico. Especialidades médicas existem por razões técnicas, não por construções subjetivas. Ginecologistas tratam patologias específicas do sistema reprodutor feminino, assim como urologistas tratam do sistema masculino. Obrigar profissionais a atender pacientes fora desses critérios não apenas compromete a qualidade do atendimento, como também gera desperdício de recursos, atrasos e insegurança jurídica para médicos que passam a atuar sob ameaça de acusações morais ou administrativas.
Esse tipo de exigência evidencia como pautas identitárias, quando impostas sem limites, podem gerar caos prático em serviços essenciais. O sistema público de saúde já sofre com falta de profissionais, filas intermináveis e estrutura precária. Acrescentar conflitos artificiais, baseados em ideologia e não em ciência, só agrava um cenário já crítico. Respeito à dignidade individual não pode significar a destruição da lógica que sustenta a medicina moderna.
Tratar todos com humanidade é obrigação do Estado e dos profissionais de saúde. Mas isso não autoriza a distorção da realidade biológica nem a imposição de demandas incompatíveis com a formação médica. Quando a ideologia se sobrepõe à ciência, quem paga o preço é o paciente comum, que fica sem atendimento, e o médico, transformado em refém de uma agenda que ignora a realidade dos fatos.







