O governo federal planeja alterar o processo de compra e venda de veículos no Brasil, tornando toda a transferência 100% digital. A proposta prevê que etapas hoje feitas presencialmente, como reconhecimento de firma em cartório e entrega de documentos físicos, passem a ser realizadas por meio de plataformas eletrônicas integradas aos órgãos de trânsito.
Segundo o discurso oficial, a mudança tem como objetivo modernizar o sistema, reduzir burocracias e tornar as negociações mais rápidas e práticas para compradores e vendedores. A digitalização também promete diminuir fraudes, erros em documentos e filas em cartórios e Detrans.
No entanto, a medida levanta críticas. Com todas as transações registradas digitalmente e em tempo real, o novo modelo também facilita o controle e a fiscalização do Estado sobre as operações. Especialistas apontam que a mudança tende a reduzir práticas comuns no mercado informal, como a omissão de valores reais na venda do veículo para pagar menos impostos.
Na prática, negociações feitas de forma pessoal, que hoje podem escapar parcialmente da tributação, passarão a ficar totalmente rastreáveis. Isso abre caminho para uma cobrança mais eficiente de impostos e taxas, ampliando a arrecadação do governo.
Assim, embora o projeto seja apresentado como um avanço tecnológico e administrativo, críticos avaliam que a digitalização também atende a um interesse claro do governo: fechar brechas que permitem a evasão fiscal e ampliar o controle sobre transações privadas no mercado automotivo.






