Governo diz que velhinhos que estavam no 8 de Janeiro são terroristas, mas não aceita que narcotraficantes sejam chamados de terroristas
A decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas reacendeu um debate que já vinha dividindo opiniões no país. Críticos do governo Lula apontam uma contradição no discurso adotado por setores da esquerda e por integrantes da base governista em relação ao uso do termo “terrorismo”.
Nas redes sociais, opositores lembram que participantes dos atos de 8 de Janeiro frequentemente foram descritos por autoridades e aliados do governo como terroristas ou golpistas, inclusive pessoas idosas que compareceram às manifestações. Ao mesmo tempo, argumentam que há resistência quando a mesma classificação é aplicada a organizações criminosas responsáveis por tráfico de drogas, execuções, torturas e outros crimes violentos.
A crítica ganhou força após a repercussão de casos brutais atribuídos a facções criminosas, incluindo episódios de sequestro, assassinato e ocultação de cadáveres que chocaram a população. Para os críticos, grupos que espalham medo, controlam territórios e utilizam violência extrema contra civis se enquadram perfeitamente na definição popular de terrorismo.
Já defensores do governo argumentam que a classificação jurídica de terrorismo possui critérios específicos previstos em lei e que a discussão deve ser feita dentro dos parâmetros legais e diplomáticos adequados. Também sustentam que os atos de 8 de Janeiro tiveram como alvo instituições democráticas, o que justificaria um tratamento diferenciado.
O episódio mostra como o termo “terrorista” se tornou mais um elemento da disputa política brasileira. Enquanto um lado cobra coerência na aplicação da expressão, o outro defende que situações distintas exigem classificações diferentes. No fim, o debate acaba refletindo a profunda polarização que continua marcando o cenário político nacional.







