O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, surpreendeu ao rever seu próprio entendimento e votar pela absolvição de réus envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Em seu posicionamento, o magistrado afirmou que decisões anteriores podem ter sido influenciadas pelo contexto de forte comoção nacional, o que teria levado a excessos.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, Fux reconheceu que seu julgamento anterior “incorreu em injustiças” e que, ao reavaliar os casos, não encontrou provas suficientes para sustentar algumas condenações. Ele defendeu que a responsabilização penal deve ser individualizada, ou seja, baseada em evidências concretas da conduta de cada acusado, e não apenas no contexto coletivo das manifestações.
Em alguns processos, o ministro votou pela absolvição total dos envolvidos, especialmente daqueles que estavam acampados em frente ao quartel-general do Exército e não participaram diretamente dos atos de depredação. Em outros casos, sugeriu a redução das acusações, afastando crimes mais graves e propondo punições mais leves.
Fux também levantou questionamentos sobre a competência do STF para julgar cidadãos comuns sem foro privilegiado, indicando que esses casos poderiam ter sido analisados por instâncias inferiores. Esse ponto reforça um debate jurídico que vem ganhando força dentro e fora da Corte.
Apesar da mudança de posicionamento, o voto do ministro é considerado minoritário e não deve alterar o resultado final da maioria dos julgamentos, que continuam mantendo condenações impostas anteriormente.
A reavaliação do magistrado reacendeu discussões sobre possíveis excessos nas decisões relacionadas aos atos de 8 de janeiro, além de ampliar o debate sobre garantias legais, proporcionalidade das penas e os limites da atuação do Supremo em casos dessa natureza.







