O ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Gonçalves Dias, voltou ao centro das discussões sobre os atos de 8 de janeiro após vir à tona que um relatório de inteligência enviado ao Congresso Nacional foi modificado antes de sua entrega. O documento original continha referências indicando que alertas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) haviam sido encaminhados ao então ministro, mas essas menções não apareceram na versão enviada à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI).
A controvérsia ganhou força quando parlamentares tiveram acesso a versões diferentes do mesmo relatório. Segundo reportagens da época, uma das versões apresentava registros dos alertas recebidos pelo GSI nos dias que antecederam as invasões em Brasília, enquanto outra foi encaminhada ao Congresso sem essas informações.
Em depoimento posterior, Gonçalves Dias admitiu que o documento foi alterado antes do envio, mas negou qualquer fraude. O general afirmou que a versão original “não condizia com a realidade” porque indicava equivocadamente que ele teria participado da difusão das mensagens de alerta. Segundo ele, o relatório foi apenas corrigido para refletir os fatos que considerava verdadeiros.
O episódio alimentou críticas da oposição, que passou a questionar a transparência das informações relacionadas ao 8 de janeiro e a atuação do GSI durante a crise. Integrantes da base governista, por outro lado, argumentaram que as alterações não mudavam o conteúdo central dos alertas nem as conclusões das investigações.
Mesmo anos depois dos acontecimentos, o caso continua sendo citado por parlamentares e comentaristas como um dos episódios mais controversos das investigações sobre os ataques às sedes dos Três Poderes, mantendo vivo o debate sobre responsabilidades, omissões e a condução das informações de inteligência naquele período.



