Hugo Armando Carvajal Barrios, conhecido como “El Pollo” Carvajal, ex-chefe da inteligência militar da Venezuela, afirmou que governos e lideranças de esquerda na América Latina teriam recebido financiamento indireto do narcotráfico, por meio de estruturas ligadas ao regime chavista. As declarações teriam sido feitas após seu rompimento com o governo de Nicolás Maduro e no contexto de sua colaboração com autoridades dos Estados Unidos.
Segundo Carvajal, durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, recursos provenientes de esquemas de tráfico de drogas e corrupção estatal teriam sido usados para apoiar projetos políticos alinhados ideologicamente ao chavismo fora da Venezuela. Entre os nomes que teriam sido citados em relatos e documentos apresentados, estariam líderes e partidos de esquerda da região, como Lula, no Brasil, Cristina Kirchner, na Argentina, Evo Morales, na Bolívia, e Rafael Correa, no Equador, além de movimentos políticos em outros países da América Latina.
De acordo com Carvajal, militares de alta patente e integrantes do governo venezuelano fariam parte de uma rede conhecida como “Cartel dos Sóis”, responsável por facilitar o tráfico internacional de drogas. Parte do dinheiro obtido com essas operações, segundo a acusação, teria sido direcionada para campanhas eleitorais, partidos políticos e movimentos de esquerda no exterior, com o objetivo de ampliar a influência regional do regime venezuelano.
As declarações provocaram forte repercussão política e passaram a ser usadas por críticos da esquerda latino-americana como evidência de uma ligação entre regimes ideologicamente alinhados e o crime organizado. Os líderes e partidos citados, por sua vez, negam qualquer envolvimento e destacam que não há condenações judiciais que comprovem as acusações.
Mesmo sem decisões definitivas da Justiça, as revelações de Hugo “El Pollo” Carvajal reforçam a pressão internacional sobre o regime venezuelano e reacendem o debate sobre o uso de dinheiro ilícito para interferência política na América Latina, colocando novamente em xeque a transparência e a legitimidade de governos associados ao eixo chavista.







