Durante um discurso na Câmara dos Deputados, o deputado federal Alencar Santana (PT-SP) se dirigiu à deputada Erika Hilton (PSOL-SP) utilizando o gênero masculino. Ao mencionar os presentes, Santana afirmou: “Deputado Reginaldo Lopes e deputado Erika Hilton”.
Esse equívoco na fala ganha destaque por ter vindo de um parlamentar alinhado ideologicamente com Erika, grupo que frequentemente defende a linguagem neutra e pautas de identidade. O ocorrido gerou discussões nas redes sociais sobre como a deputada reagiria a um erro cometido por um aliado político.
Surge então a questão: Erika Hilton, conhecida por sua postura firme contra críticas da oposição, pedirá uma retratação pública, recorrerá à Justiça ou considerará o incidente apenas um lapso verbal, por ter sido protagonizado por um membro do PT?
O episódio revela uma inconsistência notável. Quando erros semelhantes partem de conservadores, a resposta é geralmente rápida e severa. Contudo, quando a falha vem da própria esquerda, o silêncio parece ser a tônica. Em última análise, o incidente sugere que a linguagem inclusiva, muitas vezes vista como um princípio irrefutável, pode ser usada de forma seletiva: rigor máximo com oponentes e complacência com parceiros.







