A comemoração da deputada Erika Hilton diante da decisão da Anvisa que autoriza o cultivo de Cannabis sativa para fins terapêuticos reacende um debate que vai além da saúde pública e entra no campo ideológico. Embora a medida seja apresentada como um avanço médico, críticos apontam que o discurso político em torno do tema costuma omitir riscos, limitações e o contexto social de um país que ainda enfrenta graves problemas de controle, fiscalização e combate ao tráfico de drogas.
A autorização, baseada em decisão do STJ, restringe o cultivo ao uso medicinal e científico, com regras rígidas e foco no cânhamo industrial de baixo teor de THC. Ainda assim, a celebração pública por figuras políticas gera desconfiança em parte da população, que vê nesse tipo de posicionamento uma tentativa de normalizar o debate sobre a maconha sem considerar plenamente as consequências práticas e culturais dessa mudança.
Para críticos, o governo e seus aliados deveriam priorizar o fortalecimento do sistema de saúde, o acesso a medicamentos já existentes e a fiscalização eficiente antes de transformar a liberação do cultivo em bandeira política. A preocupação é que, sob o argumento terapêutico, decisões sensíveis acabem sendo usadas para avançar agendas que não contam com consenso social amplo, aprofundando a polarização em vez de promover um debate responsável e equilibrado.







