Enquanto as Forças Armadas brasileiras avançam na inclusão de pessoas trans em seus quadros, o governo do presidente Donald Trump adota uma direção completamente diferente nos Estados Unidos. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, anunciou que militares com 30 anos ou mais e níveis considerados baixos de testosterona poderão receber terapia de reposição hormonal.
Segundo o governo americano, a iniciativa teria como objetivo melhorar a saúde, o condicionamento físico e a capacidade operacional dos soldados. A medida será destinada a militares diagnosticados com deficiência hormonal, e não à aplicação indiscriminada de testosterona em todo o efetivo.
Mesmo assim, o anúncio reforça uma das principais bandeiras da atual administração republicana: a recuperação de uma cultura militar baseada em força física, disciplina, resistência e padrões tradicionais de masculinidade. Hegseth defende publicamente a formação de soldados mais preparados para o combate e já criticou militares acima do peso, padrões físicos considerados baixos e políticas de diversidade adotadas anteriormente pelo Pentágono.
No Brasil, o movimento ocorre em sentido oposto. Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que militares trans não podem ser afastados ou aposentados compulsoriamente apenas por causa da identidade de gênero ou por estarem passando por uma transição. A Justiça também determinou o reconhecimento do nome social e a atualização dos registros funcionais.
Na prática, o Exército Brasileiro amplia o espaço para pessoas trans enquanto o governo Trump concentra recursos na recuperação física e hormonal de seus combatentes. O contraste revela duas concepções distintas sobre o futuro das Forças Armadas.
De um lado, o Brasil prioriza políticas de identidade e inclusão dentro dos quartéis. Do outro, os Estados Unidos discutem maneiras de aumentar os níveis hormonais, o desempenho físico e a capacidade de combate dos soldados. Para os críticos da orientação brasileira, a função primordial de um Exército não deveria ser acompanhar disputas ideológicas, mas preparar homens e mulheres para defender o território nacional em situações extremas.
A inclusão de qualquer cidadão apto ao serviço militar deve ocorrer com respeito e sem discriminação. Entretanto, critérios técnicos, físicos e psicológicos precisam continuar acima de interesses políticos. Forças Armadas não são instrumentos de propaganda: existem para proteger o país, vencer conflitos e garantir a soberania nacional.
Fontes:
Folha de S.Paulo e Financial Times. (Folha de S.Paulo)
Superior Tribunal de Justiça. (Superior Tribunal de Justiça)







