A presença econômica da China no Brasil alcançou proporções históricas. Segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), os investimentos chineses acumulados entre 2007 e 2025 chegaram a US$ 85,5 bilhões, distribuídos por 355 projetos. Os recursos foram direcionados a setores estratégicos, como energia elétrica, mineração, petróleo, infraestrutura, indústria e agronegócio.
Entre as principais operações estão o controle da CPFL Energia, a participação chinesa nas hidrelétricas de Jupiá e Ilha Solteira e a aquisição de 90% do Terminal de Contêineres de Paranaguá, no Paraná. No agronegócio, a estatal chinesa ChemChina adquiriu a multinacional suíça Syngenta, levando também suas operações brasileiras de sementes e defensivos agrícolas para um grupo sob controle chinês.
A expansão alcança diferentes regiões do país. No Sudeste e no Sul, destacam-se investimentos em energia, indústria e logística. No Centro-Oeste, mineração e agronegócio atraem capital estrangeiro. O Nordeste recebeu projetos de energia renovável e a fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia. Já o Norte concentra investimentos em infraestrutura energética e exploração mineral.
O avanço chinês levanta discussões sobre soberania nacional, dependência econômica e controle estrangeiro de ativos estratégicos. Embora os investimentos possam gerar empregos, infraestrutura e desenvolvimento industrial, a crescente participação de empresas estrangeiras em setores essenciais também provoca questionamentos sobre os limites dessa influência. A aquisição de empresas, entretanto, não significa transferência da soberania brasileira, pois suas operações continuam submetidas à legislação nacional.







