Uma reportagem publicada pelo portal A TARDE, assinada pela jornalista Alice Paulilo, gerou repercussão ao abordar a relação entre a culinária afro-baiana e o racismo estrutural. O texto traz uma entrevista com o nutricionista e mestre em Crítica Cultural Rafael Bastos, que afirma que classificar pratos tradicionais da Bahia como “comida pesada” não é apenas uma questão de gosto, mas também um reflexo de processos históricos de estigmatização da cultura negra.
Segundo Rafael Bastos, a ideia de que preparações como acarajé, vatapá, caruru e outras comidas de matriz africana seriam naturalmente inferiores do ponto de vista nutricional tem origem em um processo que ele relaciona ao conceito de “nutricídio”, desenvolvido pelo escritor e pesquisador Llaila Afrika. De acordo com o nutricionista, esse processo teria contribuído para desvalorizar não apenas os alimentos, mas também os saberes, a cultura e as religiões de matriz africana.
Na reportagem, Bastos destaca que ingredientes tradicionais da culinária afro-baiana, como azeite de dendê, feijão-fradinho, quiabo, inhame e abóbora, possuem propriedades nutricionais importantes e podem fazer parte de uma alimentação equilibrada quando consumidos com moderação. Ele argumenta que reduzir toda a culinária afro-brasileira a alimentos excessivamente gordurosos é um equívoco, já que ela também é rica em vegetais, grãos, leguminosas, raízes e sementes.
O nutricionista ressalta ainda que preservar a alimentação tradicional também significa preservar a identidade cultural de um povo. Para ele, combater o estigma de que a comida afro-brasileira é “pesada” ou “inferior” faz parte do enfrentamento ao racismo que, segundo sua análise, também se manifesta na forma como determinados alimentos e tradições são percebidos pela sociedade. A reportagem foi publicada pelo A TARDE em 23 de julho de 2026 e repercutiu nas redes sociais, gerando opiniões favoráveis e críticas à abordagem adotada.







