Da promessa de colocar picanha na mesa dos brasileiros à defesa da cobrança de impostos sobre carnes consideradas nobres, uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), feita em 2024, continua provocando questionamentos sobre suas promessas de campanha e o poder de compra da população.
Durante entrevista à Rádio Sociedade da Bahia, em julho de 2024, Lula defendeu que cortes de carne mais caros poderiam ser tributados, enquanto aqueles consumidos diariamente pelas famílias brasileiras deveriam ficar livres de impostos.
“Você tem vários tipos de carne: tem carne chique, de primeiríssima qualidade, que quem consome ela pode pagar um impostozinho”, afirmou o presidente na ocasião.
Embora a declaração tenha sido feita há mais de dois anos, o assunto continua alimentando críticas de internautas, principalmente pela comparação com a campanha presidencial de 2022, quando Lula utilizou a picanha como símbolo da promessa de recuperação do poder de compra dos trabalhadores.
Entre os questionamentos está o fato de que muitos brasileiros ainda relatam dificuldades para comprar cortes nobres de carne, apesar das promessas de melhoria nas condições econômicas. Para esses críticos, a ideia de cobrar impostos sobre produtos de qualidade superior contrasta com o discurso de que o trabalhador deveria voltar a ter condições de colocar picanha na mesa.
A discussão também ganha destaque em meio aos recentes anúncios de benefícios sociais feitos por Lula, incluindo a proposta do Pé-de-Meia Universitário, apresentada em outubro de 2026. O programa, prometido para um eventual próximo mandato, prevê pagamentos mensais de R$ 700 e depósitos anuais de R$ 2.500 para estudantes que atendam aos critérios estabelecidos.
Outra preocupação levantada no debate é a possibilidade de que carnes nobres venham a receber tributação específica futuramente, caso a legislação seja modificada. Atualmente, porém, a reforma tributária aprovada prevê alíquota zero de IBS e CBS para as carnes contempladas na cesta básica nacional, sem estabelecer a distinção entre cortes populares e nobres defendida por Lula em 2024.
Ainda assim, a declaração antiga continua sendo utilizada por críticos para cobrar resultados concretos das promessas relacionadas ao custo de vida. A principal cobrança é que a picanha, apresentada como símbolo de uma vida melhor, deixe de ser apenas uma referência de campanha e se torne acessível a mais famílias brasileiras.







