O presidente da China, Xi Jinping, manifestou apoio ao Brasil contra interferências externas durante uma conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira (27). O diálogo ocorreu em meio ao aumento das tensões políticas e comerciais entre o governo brasileiro e os Estados Unidos, a poucos meses das eleições presidenciais de outubro.
Segundo informações divulgadas pela agência estatal chinesa Xinhua, Xi afirmou que a China apoia o Brasil na rejeição de interferências estrangeiras e demonstrou disposição para ampliar a coordenação estratégica entre os dois países, tanto nas relações bilaterais quanto em organizações internacionais.
Embora os comunicados públicos não registrem uma declaração literal de Xi dizendo que a China “acompanhará as eleições”, o governo chinês observa com atenção a disputa presidencial brasileira e seus possíveis impactos sobre as relações comerciais e diplomáticas entre os dois países.
A manifestação ocorre após integrantes do governo brasileiro acusarem autoridades e políticos estrangeiros de tentarem influenciar o processo eleitoral. O Brasil chegou a negar vistos a dois representantes do governo dos Estados Unidos que pretendiam visitar o país para discutir assuntos relacionados à integridade eleitoral. Autoridades brasileiras consideraram que a missão poderia ser utilizada para questionar o sistema eleitoral nacional.
Lula também já havia pedido publicamente que o presidente norte-americano Donald Trump não interferisse nas eleições brasileiras. O petista afirmou que líderes estrangeiros podem ter preferências políticas, mas não devem tentar influenciar a decisão dos eleitores do Brasil.
Durante a conversa, Lula e Xi também defenderam o avanço das negociações comerciais entre a China e o Mercosul. Os dois presidentes discutiram ainda a ampliação da cooperação nas áreas de inteligência artificial, satélites, processamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.
A China é um dos principais parceiros comerciais do Brasil, o que faz com que o resultado das eleições tenha importância direta para Pequim. Uma eventual mudança de governo poderia afetar investimentos, comércio exterior, relações dentro do Brics e o posicionamento brasileiro diante da disputa internacional entre China e Estados Unidos.
As pesquisas mais recentes mostram Lula na liderança contra o senador Flávio Bolsonaro. Levantamento Datafolha divulgado em 24 de julho apontou o atual presidente com 48% contra 43% do adversário em uma eventual disputa de segundo turno.
A declaração chinesa reforça a aproximação política entre Lula e Xi e sinaliza que Pequim permanecerá atenta ao processo eleitoral brasileiro, especialmente diante das denúncias de interferência estrangeira e do aumento das disputas comerciais envolvendo o país.
Fontes: Reuters, Xinhua e Datafolha.







