O Brasil ultrapassou a marca de 11 milhões de lares comandados por mães que criam seus filhos sem a presença de um cônjuge. Levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas apontou que o número passou de 9,6 milhões, em 2012, para aproximadamente 11,3 milhões em 2022, um crescimento de 17,8% em uma década.
Os dados mostram uma transformação significativa na estrutura familiar brasileira. Ao mesmo tempo, o crescimento desse grupo tem alimentado discussões nas redes sociais sobre as dificuldades enfrentadas por mães solo para iniciar novos relacionamentos.
Entre os argumentos apresentados por alguns homens está o receio de assumir responsabilidades emocionais e financeiras relacionadas aos filhos de outra pessoa. Um dos assuntos mais citados é a chamada pensão socioafetiva, obrigação que pode surgir quando a Justiça reconhece a existência de uma relação consolidada de pai e filho, mesmo sem vínculo biológico.
Entretanto, apenas namorar uma mulher que tenha filhos não transforma automaticamente o companheiro em pai socioafetivo nem cria, por si só, obrigação de pagar pensão. O reconhecimento depende da análise de provas capazes de demonstrar uma relação pública, contínua e duradoura de paternidade, com tratamento do menor como filho e efetiva participação em sua criação.
Apesar disso, relatos e conteúdos publicados na internet frequentemente apresentam a pensão socioafetiva como um risco automático, aumentando a insegurança de alguns homens diante de relacionamentos com mães solo.
Outro ponto mencionado é o projeto que pretende incluir a misoginia entre os crimes de preconceito e discriminação. A proposta foi aprovada pelo Senado e está em tramitação na Câmara dos Deputados. Portanto, ainda não se trata de uma lei federal em vigor.
Nas discussões virtuais, homens afirmam temer que críticas, discussões conjugais ou o encerramento de um relacionamento possam ser interpretados como atos de misoginia. Especialistas, porém, destacam que o projeto trata de condutas praticadas por desprezo, ódio ou discriminação contra mulheres, e não de qualquer desentendimento entre pessoas de sexos diferentes.
Também são citados como obstáculos o contato permanente com o pai biológico, possíveis conflitos relacionados à criação da criança, falta de privacidade, prioridades diferentes e o receio de desenvolver laços emocionais com os filhos e perdê-los após uma separação.







