O Brasil vive um paradoxo cada vez mais evidente. De um lado, grupos de esquerda e extrema esquerda repetem discursos defendendo que é preciso taxar milionários, combater a concentração de renda e até afirmar que milionários não deveriam existir. De outro, esses mesmos grupos passaram a comemorar o fim de um inquérito que poderia aprofundar a apuração sobre o Banco Master e um rombo bilionário que pode estar ligado a um dos maiores escândalos financeiros da história recente do país.
A contradição chama atenção porque o discurso de justiça social e combate aos “ricos” desaparece quando o caso envolve instituições financeiras poderosas e figuras influentes do sistema.
O caso Banco Master
A Procuradoria-Geral da República decidiu arquivar o pedido de investigação que solicitava apuração sobre a relação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e o Banco Master. O pedido levantava questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, incluindo contatos institucionais e a atuação profissional da esposa do ministro, que manteve contrato com o banco.
Segundo a PGR, não haveria elementos suficientes para caracterizar ilegalidade ou justificar a abertura de investigação, entendendo que as alegações apresentadas não ultrapassariam o campo das suposições.
Do discurso radical ao silêncio conveniente
O episódio escancara uma incoerência recorrente no debate político brasileiro. Quando o assunto é taxação de grandes fortunas, o discurso é duro e inflamado. Mas quando surge a possibilidade de investigar um grande banco envolvido em um rombo bilionário — com potenciais reflexos no sistema financeiro e institucional — o tom muda, e o arquivamento passa a ser tratado como vitória.
A mensagem que fica é clara para grande parte da população: a retórica contra milionários vale apenas para o discurso político, não para a prática institucional.
Impacto na confiança da sociedade
Em um país marcado por escândalos financeiros e históricos prejuízos aos cofres públicos, decisões que encerram investigações sensíveis reforçam a sensação de dois pesos e duas medidas. Para o cidadão comum, a impressão é de que a cobrança é rigorosa apenas para alguns, enquanto outros permanecem blindados.






